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quarta-feira, julho 04, 2007

Blogsérie Interactiva - 9m32s - Episódio 10

Encerra-se hoje, a Blosérie Interactiva, nem vos passa pela cabeça o gozo que me deu escrever 3 dos 10 episódios desta série. Espero que gostem e quem sabe, pode ser que em breve, regresse com uma blogsérie nova. Obrigada por estarem desse lado!



Episódio 1 - Autor: Capitão-mor
Episódio 2 - Autor: LoiS
Episódio 3 - Autora: Jade
Episódio 4 - Autor: Capitão-mor
Episódio 5 - Autor: LoiS
Episódio 6 - Autor: Maríita
Episódio 7 - Autor: Maríita
Episódio 8 - Autor: CP
Episódio 9 - Autor: Arya Bodhisattva





- “Nada, primeiro tenho que te levar para o hospital, depois tenho que ir a casa verificar uma coisa. Depois regresso ao hospital e vamos ver os rapazes!” disse apressadamente Amélia.

Já no hospital a João leva 5 pontos no braço esquerdo, o mesmo que tinha levado a bala de raspão e os médicos retiram-lhe diversos estilhaços do frasco de Ketchup da cara e mãos. Felizmente o resto do corpo estava coberto e os cortes tinham sido limitados. Os médicos convenceram-na a passar a noite no hospital e a João, após se certificar que os amigos estavam em segurança, acedeu. Sentia-se extremamente cansada e tinha descoberto que lhe era muito difícil manter o sangue frio com os amigos sob a mira de uma arma. Na manhã do dia seguinte, o telemóvel da João soou:

- “João? É o Ferreira, onde estás?! Preciso de falar contigo!”

- “Estou agora mesmo a receber alta, é só pagar e ir para casa. Vemo-nos lá dentro de meia hora?”

- “Okidoki” disse o Ferreira.

Quando chegou a casa, a João descobriu que o Ferreira já a esperava no patamar das escadas, tinha olheiras profundas de quem não tinha dormido e fumava cigarro atrás de cigarro, a julgar pelo monte de beatas que estavam ao seu lado. João estendeu-lhe as chaves de casa, e apontou para o braço esquerdo. Ferreira sorriu, a João era canhota. Abriu a porta e entraram directamente para a sala.

“O Horácio Lobo foi assassinado na sua cela do SIS” disse o Ferreira olhando para a João intensamente.

O rosto de João abriu-se num enorme sorriso, mas não pronunciou nem uma palavra.

- “Tu sabes quem foi?” pergunta o Ferreira

- “Sei sim Senhor, e ainda bem que ele está morto, menos um problema em cima da mesa”, disse a João com voz aliviada, “vai ao meu quarto, está lá um cofre, a combinação é 20-05-74, trás a pasta marcada confidencial, podes ir lendo enquanto eu mudo de roupa e preparo um café.

- “Mas tu não entendes, não tivemos oportunidade de o interrogar, ele nunca chegou a dizer onde está a Débora e pior que tudo, o assassino era um profissional, não ficou nenhuma marca, só um pescoço partido”

A João sorriu e só então lhe disse:

“Eu já sabia que o Horácio Lobo ia ser morto, nada disso me surpreende. Agora lê o dossier e já agora, liga o meu computador, tenho que alterar esse dossier, há mistérios que assim devem permanecer…sim, este assassinato deve ficar sem solução. Mas não te preocupes Ferreira, a esta altura do campeonato, a Débora deve estar a morrer lentamente”.

O Ferreira olhou intrigado para a João, dirigiu-se ao quarto desta, abriu o cofre e começou a ler o dossier. A João foi mudar de roupa e preparar o café. O telemóvel do Ferreira tocou, era o Augusto Luís que queria saber onde é que estava toda a gente, já que não tinha notícias de ninguém desde que o SIS o tinha deixado em casa. O Ferreira disse-lhe que comprasse uns frangos assados e convocasse o pessoal para casa da João às 13h00.

A João trouxe uma chávena de café fumegante ao Ferreira que estava boquiaberto com o que lia:

- “Então foi a Amélia que matou o Horácio Lobo? Inacreditável! Ela era uma agente do SIS, deveria ter outro comportamento, quando isto se souber ela vai ser presa por homicídio”

- “Não digas disparates, a Amélia não vai ser presa coisíssima nenhuma, vamos só alterar o que consta no dossier e já está, ela tinha o direito moral de o matar” disse a João num tom de voz que não admitia discussões.

O Ferreira ainda fez um esboço de protesto, mas o olhar de escárnio da João fizeram-no reconsiderar.

- “Quem diria que o Horácio Lobo era o Ernani Veloso…a vida dá mesmo voltas engraçadas”, pensou Ferreira em voz alta.

- “É verdade”, disse a João com um sorriso, “a Amélia ter-se-ia que vingar dele em qualquer caso, e não vamos ser nós que a vamos denunciar. Mas, sinceramente, não acredito que ela tenha morto o Horácio/Ernani sem antes lhe ter arrancado o paradeiro da Débora e como a Amélia ainda não telefonou, deve estar a tratar dela…vamos alterar a informação do dossier, SFF”.

A João e o Ferreira, alteraram a informação do dossier, omitindo a relação entre Horácio Lobo e Ernani Veloso e após relerem o seu trabalho, chegaram à conclusão que era impossível a quem não soubesse estabelecer a relação. A João sabia que ia ouvir um raspanete do chefe por ter retirado o dossier do SIS e levado para casa, esperava não ser suspensa, mas até que uma suspensão vinha mesmo a calhar, precisava de descansar.

Às 13h00 em ponto, apareceram em casa da João, Augusto Luís, o Lemos e o Reis, e gerou-se uma algarviada de todo o tamanho, choviam perguntas de todos os lados e a João nem sabia para onde se virar, o Augusto Luís depois de a censurar pelo medo que sentiu na casa-de-banho, perguntava insistentemente pela Amélia. O Reis dava-lhe palmadinhas nas costas e o Lemos só lamentava nunca ter dado por que tinha dois amigos no SIS, assim podia ter-lhes pedido que assustassem a mulher e talvez ela deixasse de gastar o dinheiro que ele não tinha. De um momento para o outro, parecia que estavam outra vez no liceu, as piadas, companheirismo, amizade, o que fez com que o Ferreira dissesse com um ar divertido:

- “Pessoal, já descobri porque é que a João não tem um namorado! Temo-nos perguntado tantas vezes e agora descobri a resposta, é que aturar-nos é dose! Ainda me lembro daquele namorado dela, o Zé que durou um mês, acho que foi porque a João estava a trabalhar no Porto, porque bastou nós irmos visitá-la que o Zézinho deu olimpicamente ao slide... somos terríveis!”

- “Não se preocupem, meus queridos” disse a João cinicamente, “o ser solteira tem-me permitido ir a todos os vossos casamentos e divórcios, n’est pas? O que me lembra, que raio de história é esta de que te vais divorciar Ferreira?”

- “É verdade, decidi que não dá mais, os lucros do Blue Velvet estão a ir todos para sustentar a vingança da minha mulher pelo episódio do Brasil e portanto, meti os papéis para o divórcio. Agora com o regresso do capitão-mor até dá jeito, não tenho que inventar desculpas porque estou fora em missão”.

Os amigos olharam uns para os outros e todos lamentaram muito que as coisas acabassem assim, embora no fundo todos soubessem que era mais uma questão de endurance e tempo que outra coisa. No entanto, Augusto Luís viu ali uma oportunidade para se meter com o amigo:

“Ah, então tu não tinhas aquelas mulheres todas, era só fachada para as tuas outras actividades como capitão-mor…Como se chama? Mor, Capitão-mor!”

E as gargalhadas soaram por todos os lados. Tocaram à porta, era a belíssima Amélia, parecia muito cansada, mas tinha um sorriso no rosto que não enganava ninguém, estava tranquila e feliz. Antes mesmo de Augusto Luís falar, a João antecipou-se:

- “Encontraste-a? Onde é que ela está?”

- “Deve dar à costa com a maré cheia, sabes que isto dos naufrágios é trágico”, fez-se um silêncio, quebrado apenas por uns ruídos de incredulidade por parte do Lemos.

- “Vão-me prender?” – perguntou Amélia olhando para a João e para o Ferreira.

- “Que disparate!”, exclamou a João muito depressa, “vamos mas é aguardar pacientemente que o barco dê à costa…mas como é que a descobriste? O Horácio/Ernani disse-te antes de morrer?”

- “Não foi preciso” disse sorrindo a Amélia “lembras-te de um medalhão que eu uso muito pouco, só em ocasiões muito especiais? Aquele que o meu avô me deixou em testamento? Pois bem, a Débora tinha um muito parecido, para quem não os conheça bem, à primeira vista eram iguais. Por isso, fui falar com a minha priminha que me confessou que tinha tido um caso com a Débora, elas são bissexuais. No fim da relação, a Débora levou a cópia como recuerdo, dai para a frente, foi tudo muito fácil. Não há nada que se coma?”.

Augusto Luís apressou-se a servir a bela Amélia, completamente enfeitiçado por ela que, diga-se em abono da verdade, não se fez rogada.

- “Conclusão”, disse a João lentamente, “só me falta encontrar o Mihail Tchevchenko e reunir provas contra ele. Hum, o que é bom nesta profissão é que temos sempre trabalho”.

~ FIM ou talvez não ~






quarta-feira, junho 20, 2007

Blogsérie Interactiva - 9m32s - Episódio 8

Como sabem, o próximo episódio será apresentado pelo CP

Infelizmente, por motivos laborais, o CP só poderá apresentar o seu episódio no Sábado. Ficamos a aguradar com expectativa.

quarta-feira, junho 13, 2007

Blogsérie Interactiva - 9m32s - Episódio 7

Gostaria de dedicar este episódio a todos os que têm acompanhado esta saga, aproveitando para desejar ao Capitão-mor tudo de bom e o seu rápido regresso a estas lides.

Episódio 1 - Autor: Capitão-mor
Episódio 2 - Autor: LoiS
Episódio 3 - Autora: Jade
Episódio 4 - Autor: Capitão-mor
Episódio 5 - Autor: LoiS
Episódio 6 - Autor: Maríita



- “Eu mesma” diz João sem se desfazer, “Querido, tira a capa e a camisa, se fizeres favor. Amélia muda a frequência para a tipo 3”.

Ao mesmo tempo que a João dava estas ordens, Augusto Luís ia-se despindo e não parava de fazer perguntas:

- “Nikita? Que raio de nome é esse? Já me viste em calções mil vezes para que é que me queres ver de tronco nu?

- “Sabes como eu sou, uma apaixonada pela música melosa do Elton John e nada me dá mais gozo do que te ver em tronco nu” – disse a João sem se desfazer, “vira-te”. Com um movimento rápido a João arrancou o adesivo que prendia o microfone às costas de Augusto Luís. “Toma este comprimido e vomita para cima da capa, nem um pio ou corremos ambos risco”.

Augusto Luís fez exactamente o que a João lhe tinha dito, ainda estava atordoado por ter ali, a amiga de toda a vida, naquela posição, e sem microfone a Amélia já não podia ver como ele era um valentão. Por seu turno, a João dirigiu-se à porta e entregou a capa com vomitado ao outro segurança dizendo-lhe:

- “Arranja outra que o chefe gosta de tudo imaculado e perfeito, se alguma coisa estragar a festinha dele hoje, estamos lixados”.

- “Amélia estás a ouvir-me?”- perguntou a João;

- “Perfeitamente. Posso saber como é que estás ai? Disseram-me que estavas morta?” – retorquiu Amélia.

- “Morta?! Que disparate! Estive incontactável por uns dias…foi bonita a cerimónia ao menos?” – João tinha uma ironia corrosiva que deixava todos boquiabertos.

Augusto Luís andava nervosíssimo dum lado para o outro. E só pensava que tinha perdido a sua hipótese de ouro de se exibir frente a Amélia.

- “Oiçam-me os dois se faz favor, temos muito pouco tempo, o outro segurança só tem que descer três laços de escadas, agarrar na capa e regressar. Amélia, o meu objectivo é apanhar um traficante de armas, Mihail Tchevchenko que está hoje aqui na quinta para fechar um negócio. A Débora tenciona pagar esse negócio com o resgate do Reis e deixar que Horácio Lobo acabe com os rapazes, não sem que antes ele se divirta um pouco, ele adora torturar pessoas e descobriu através desta seita a fórmula perfeita, anda toda a gente possuída por Satanás e isso manifesta-se por um desejo incontrolável de sexo. A luxúria é provocada por doses elevadíssimas de viagra e alguns morrem de ataque cardíaco. Tenho comigo mais 5 efectivos, dois vão ajudar os rapazes a fugir, os restantes vêm comigo atrás do Tchevchenko. Tens que ir buscar as mulheres do Lemos e do Ferreira, eles têm-nas vigiadas e matá-las-ão se houver qualquer problema aqui dentro. Manda uma brigada já”.

Quanto a ti, Augusto Luís, preciso que digas ao Ferreira que reabilite o capitão-mor, diz-lhe que ganhe tempo na sala onde estão agora, foram instruções superiores, ele saberá o que fazer. Quando chegar a altura ponham-se a andar daqui para fora, não se preocupem com nada mais, a equipa de operacionais que está lá fora leva-os para local seguro. Escusado será dizer que estás proibido de dizer aos restantes meninos que eu estou aqui, pelo menos até estar tudo acabado”.

O segurança mete a cabeça pela porta e entrega a capa dizendo: “vamos que o chefe está a ficar impaciente”.

Regressam à sala, exactamente aos mesmos locais, Ferreira faz um ar muito preocupado, e murmura: “Estás bem? Estás muito pálido!

Estou bem, nem imaginas, acabei mesmo por me vomitar todo, depois a Nikita arrancou-me o microfone à bruta, mas tenho um recado para ti, ela mandou dizer que o capitão-mor está reabilitado e que tens que ganhar tempo nesta sala”.

Silêncio” a voz troou pelo salão. “Podemos passar aos negócios que nos trouxeram aqui? Acompanhem-me!” disse Horácio Lobo.

Só um momento”, disse o Ferreira, “não vai ninguém a lado nenhum, sem vermos se o Reis está bem”.

Com certeza, tem direito a ver a qualidade da mercadoria que vai comprar”, disse o sacerdote sorrindo, “tragam-no e dispam-no”.

O Reis é posto sob um holofote sempre acompanhado por duas mulheres nuas com um corpo escultural. Retiram-lhe a capa que o cobre.

O que são essas escoriações?” - indaga Ferreira – “bateu no nosso amigo? Isso é totalmente inadmissível!”

Eu não bato em ninguém, o seu amigo tentou fugir às suas guardiãs e elas aplicaram-lhe um castigo com um chicote de tiras. Conhece o tipo?” – Retorquiu sarcasticamente o Sacerdote, “mas depois elas arrependeram-se e deram-lhe uns mimos para ele não se sentir tão mal”.

Reis, tu estás bem? Sentes-te bem? Não tens nada partido?” perguntou o Fonseca nervoso.

O Reis ainda tentou levantar a cabeça, mas as duas mulheres ao lado dele puxaram de um chicote de tiras e ele baixou de imediato a cabeça e encolheu-se. Para os olhos experientes do Ferreira aquela reacção bastava-lhe. Tinha que empatar, eram essas as ordens:

Porque é que maltratou o nosso amigo? Para que foi isso? Já reunimos o dinheiro, temo-lo connosco, não havia necessidade de brutalidade.”

Bem meu amigo”, disse o sacerdote pausadamente, “ele tentou fugir e eu tenho um prazer sádico em infligir dor nos outros, mas se quiser tomar o lugar do seu amigo esteja à vontade, afinal vai-se divorciar em breve e nem tem filhos. Ninguém dará pela sua falta”.

Uma mulher sai detrás do sacerdote e fala:
Nós queremos o dinheiro e vocês levam o vosso amiguinho. Te parece bem?” Diz a misteriosa Débora olhando para Ferreira.

É melhor tirarem as algemas e correias do Reis, assim vai ser difícil negociar e podemos limitarmo-nos a ir embora” disse ousadamente o Augusto Luís.

E a formiga tem catarro…pensava que só o amigo Blue Velvet é que falava. Tirem as algemas meninas e empurrem o vosso insaciável prisioneiro para perto dos amigos. C1 e C3, agarrem na pasta do dinheiro e entreguem-na à senhora” disse o sacerdote.

Assim que Débora abriu a mala, deu-se uma explosão que precipitou os acontecimentos. Os quatro amigos viram serem lançadas umas bombas de gás lacrimogéneo, dois seguranças empurraram-nos para a saída, dando tiros à sua passagem, Augusto Luís ia distribuindo uns golpes que tinha aprendido nas artes marciais e o Lemos, possuído por uma fúria destruidora, agarrava em todos os objectos decorativos que podia e ia atirando ao inimigo. Já na rua os amigos foram metidos numa carrinha que arrancou a grande velocidade.

Dentro da casa grande, a João vendo que não tinha as provas que necessitava para prender o russo Mihail Tchevchenko, deu voz de prisão a todos quantos não pertencessem à sua força. Conseguiram prender Horácio Lobo, mas a perigosa Débora continuava à solta. A João lançou-se numa perseguição pelo corredor que levava à cozinha, precisava de a apanhar ou ela mataria quem se metesse no seu caminho.

- “Amélia, estou a correr para a cozinha atrás da Débora. Vem ajudar-me se faz favor. Tenho muitas informações para ti.” Dizia a João com o coração a bater descompassadamente.

Amélia desatou a correr para dentro da casa onde reinava a maior das confusões, havia fumo e tiros por todos os lados, pelos vistos o Mihail Tchevchenko trazia companhia porque os outros estavam todos presos. Seguiu um corredor estreito quando um tiro ressoou aos seus ouvidos.

Foda-se esta merda, fui atingida pela Débora!” gritou a João.



*** *** *** ***
Para a próxima semana, não percam o episódio escrito pelo meu amigo virtual CP


quarta-feira, junho 06, 2007

Blogosérie Interactiva - 9m 32s - Episódio 6

Episódio 1 - Autor: Capitão-mor
Episódio 2 - Autor: LoiS
Episódio 3 - Autora: Jade
Episódio 4 - Autor: Capitão-mor
Episódio 5 - Autor: LoiS



Maria Luísa Monteiro tinha 16 anos quando saiu de casa. Tinha pedido a emancipação e tinha entrado para Santa Margarida, sede dos Comandos. Passados dois anos de treinos exaustivos: tiro, artes marciais e outras artimanhas para sobreviver ao inimigo, Maria Luísa tinha sido abordada pelo Serviço de Informações Estratégicas de Defesa Militar, mais conhecido por SIEDM. Precisavam de alguém com o seu perfil para uma recolha de informações no terreno.

Aos 20 anos chegou ao Uíge, Angola, onde ia cumprir a sua missão, aproximar-se de Jonas Savimbi e tentar descobrir quais as suas intenções políticas e planos de guerra. No processo apaixonou-se por um dos capitães de Savimbi, Erivaldo, que era um dos seus homens de confiança. Um dia, após 4 anos no mato, Erivaldo pediu a Maria Luísa que o acompanhasse a Luanda. Chegados à capital instalaram-se no Hotel Luandini, que era de gente de confiança. Uma noite, acordaram com um homem estranho dentro do quarto, com uma arma apontada a Erivaldo. Ernani Veloso era um assassino a soldo. Um disparo, uma morte, uma dor interminável que fez com que Maria Luísa abandonasse Angola e regressasse a Portugal.

Após 2 meses de baixa, o seu chefe conseguiu que fosse transferida para o SIS, os colegas chamavam-lhe “Frígida”, mas o seu nome de código era Amélia e era uma agente implacável com uma obsessão por Ernani Veloso.

(…) Por todos estes motivos, Amélia não compreendia como a voz de Augusto Luís a excitava tanto, perturbava-a para lá do que ela considerava compreensível. Detestava homens como Augusto Luís ou o Ferreira, esse até tinha colocado toda uma operação em risco para estar com mulheres, o Lemos, o Fonseca e o Reis eram menos maus, mas Amélia não se esquecia que o Reis estava neste assado porque tinha atendido o telefone a uma brasileira que lhe tinha dito que conhecia umas histórias sobre a mulher, Patrícia, e ele tinha ido a correr…ser raptado. Patéticos! Por isso, Amélia não entendia a tesão que sentia perto de Augusto Luís, uma patetice!

- Socorro escuto! SOCORRO! MERDA! AMÉLIA SOCORRO! – Grita Augusto Luís para o sistema que leva colado ao seu corpo enquanto é empurrado para a frente pelos simpáticos amigos!

A voz angustiada de Augusto Luís desperta Amélia do seu devaneio. Amélia sabia que não podiam entrar por ali dentro porque não tinham provas de nada. Mandou os demais operacionais esperarem, ainda não era o momento.

Dentro da Quinta das Gárgulas, o Fonseca tinha acalmado após uma cotovelada do Augusto Luís, o Lemos estava lívido, e o Ferreira até ai um mero espectador falou:

“O meu amigo Augusto Luís está-se a sentir mal, seria possível ele ir à casa-de-banho?” diz Ferreira.

“Sinto-me mal?!” – pergunta baixinho o surpreendido Augusto Luís.

“Cala-te!” – Ferreira responde rispidamente – “Vai, e tira a merda do microfone, ainda somos todos mortos aqui!”

Amélia fica congelada com o que ouviu. Sem sistema de comunicações como é que vai saber o que se passa lá dentro?

Augusto Luís sente uma mão no braço a guiá-lo, e vê um segurança minorca ao seu lado, logo seguido de um enorme. O segurança minorca entra com ele na casa-de-banho e diz-lhe em tom cumplice e baixinho:

“Estava a ver que o Ferreira tinha perdido todas as qualidades. Vamos tirar esse microfone?”

- “João?!” – Exclama Augusto Luís;
- “Nikita?!” – Exclama Amélia.
***
*SIEDM é a nomenclatura antiga para o actual SIED



terça-feira, junho 05, 2007

Amanhã é dia de

Blogsérie!!!
Como não consegui ninguém para continuar a série, todas as pessoas contactadas estavam cheias de trabalho, agradeço que alguém se ofereça para continuar. Se ninguém se oferecer eu farei o próximo episódio também.

domingo, março 18, 2007

O Encontro - Episódio 2 do Contraponto

A João tinha recebido um convite por e-mail para se encontrar com as mulheres dos seus amigos, a Inês estava numa fúria organizadora. Estava irritadíssima pelo Luís ter aceite ir para Natal na primeira semana de Dezembro e não ia ficar de braços cruzados.
Encontraram-se na Pastelaria Versailles na Av. da República às 18h00 de uma quinta-feira solarenga. A João chegou um pouco atrasada porque tinha tido um contratempo no escritório. Mal chegou cumprimentou as amigas.
Inês mulher do Luís e já conhecida dos leitores, era uma mulher lindíssima, aloirada com olhos cor de amêndoa e 1.70m de fazer parar o trânsito. Para além disso, era uma especialista na área financeira e ocupa um lugar de chefia numa multinacional espanhola em Lisboa. Liliana mulher do Fonseca, era morena com uns olhos castanhos enormes e pestanudos e um sorriso quase permanente. Trabalha numa agência de viagens, aliás tinha sido num projecto laboral que tinha conhecido o marido. Marta, a mulher do Lemos, era uma ex-modelo cuja cor de cabelo era um mistério porque mudava com a estação, os olhos eram verdes, trabalhava no mundo da moda, mas ninguém entendia bem o que é que fazia. E finalmente, temos Constança, a mulher do Ferreira, uma luso-brasileira, filha de pai português e de mãe brasileira. Chamava-se Constança porque o pai tinha lido o Auto da Índia na escola primária de Carrazeda de Ansiães e achava que a Constança era constante. Constança tinha conhecido o Ferreira numa das multiplas viagens de avião que ligavam Lisboa e Natal onde era assistente de bordo. Tinha sido uma paixão assolapada que a tinha levado a zangar-se com os pais que eram contra aquele casamento.
As quatro estavam sentadas numa mesa ao fundo da Pastelaria Versailles, a João chegou e pedindo desculpas pelo atraso atirou-lhes uns beijinhos e um desabafo:
João - Meninas, que dia horrível! Já viram o trânsito que está? Lisboa é assim mesmo, se chove há engarrafamentos, se há sol há engarrafamento...
Inês (rindo) - Realmente és o mau feitio em pessoa, bem diz o Luís.
João (sorrindo) - Sou mesmo...
Depois de pedirem, a Inês abriu as hostilidades
Inês - Mandei-vos aquele mail porque, como já devem saber, os nossos maridos vão para Natal passar uma semana de férias a partir do 1º de Dezembro.
João - Vossos maridos querida, que para mim nem embrulhados e com lacinho azulinho os queria. Mas acho que tens razão, em vez de irem expulsar espanhóis, vão todos contentes para o calor.
Liliana (sorrindo) - Eu só de imaginar o meu Fonseca no meio do calor dá-me para rir. Mas é verdade, estou chateada com ele, estou grávida e vou ficar aqui sozinha enquanto ele vai para a farra, claro que estar grávida não é doença, mas gostava que ele estivesse comigo. Ao sexo mês já vai ser mais difícil mexer-me.
A Marta interrompeu-a:
- Deixa lá, nós estamos cá.
Inês - Ai não estamos não! Era o que mais faltava, eles vão de férias, eu não vou cá ficar a tomar conta da casa e carpir mágoas. Vou de férias também. Quem alinha?
Contança, até ai calada, esboçou um sorriso lânguido, e abanando a cabeça afirmativamente disse:
- É isso mesmo, vamos para fora! Marido fora, dia santo na casa! Nada de programas mediocres, nós merecemos o melhor!
Liliana - Ai, e se acontece alguma coisa ao bebe? Tenho medo.
João - Não te preocupes com o bebe que não lhe vai acontecer nada.
Inês - Alguém tem ideias?
João - Por acaso eu tenho, não que tivesse pensado que ia ter a vossa companhia, mas sendo assim ainda melhor.
Constança - Desembucha mulher, estou em pulgas para saber para onde é que vamos.
João - Bem, vocês sabem que eu tenho andado um bocado desanimada com algumas coisas no meu trabalho, certo? E comecei a desenvolver alguns contactos para tentar obter algumas representações ou importar determinados produtos para Portugal e tinha pensado reunir com os fabricantes para ver se seria possível chegar a um acordo satisfatório para ambas as partes e em Dezembro seria perfeito porque já teria tido tempo de reunir algumas informações que ainda me faltam e reunir com o ICEP...
Inês - Que produtos? Isso interessa-me, se o projecto for bom até podíamos investir todas. O que é que vos parece?
Constança - Acho óptimo porque assim tenho negócios meus e posso ter um rendimento próprio sem estar dependente do Ferreira, além do que posso sempre falar com o meu pai para ele nos emprestar algum dinheiro e até algumas dicas que de comércio tem ele experiência.
Liliana - Eu não me vou poder envolver muito por causa da criança, mas ajudo no que souber e puder, já nos vejo riquíssimas!
Marta - Eu ajudo no que for necessário e ainda posso disponibilizar os meus contactos.
Inês - Mas afinal que negócios são esses? E já agora onde é que é a viagem?
A João sorveu o seu granizado de limão e respondeu:
(continua para a semana)

domingo, março 11, 2007

Contraponto

Desafiada pelo Capitão-mor, decidi fazer uma versão feminina da blogo-novela que ele começou na quarta-feira passada no cantinho dele. Devo desde já advertir que não garanto a disponibilidade para fazer os sete episódios que a série tem, já que posso ter compromissos profissionais que mo impeçam, de todas as formas, aqui fica o meu humilde contributo.
Já passava das 4h00 da manhã quando o telemóvel da João tocou, era o Ferreira que lhe queria contar as últimas, tinha conseguido convencer os outros marmanjos do grupo a acompanhá-lo a Natal em Dezembro. A João cujo bom humor é já famoso, grunhiu que aquilo não eram horas de ligar e que falariam no dia seguinte.
No dia seguinte a João chegou ao escritório, mas quis evitar ligar o msn, sabia que ia ser bombardeada por todos os lados com as histórias da noite anterior dos amigos. Ela continuava a repetir para si mesma que estava farta deles e ainda pior de ser a melhor amiga deles. Já os conhecia há imenso tempo e desde sempre que sofria horrores com aquela faceta mulherenga dos amigos. Tinha-os visto, crescer, namorar e casar e agora, começava a assistir aos divórcios, o do Reis tinha sido o primeiro e apesar da João não morrer de amores pela mulher do Reis que era uma ciumenta louca, tinha ficado triste pelas atitudes do amigo após o divórcio. O Reis tinha que provar a tudo e todos que era ainda apetecível no mercado feminino...e era com cada peça...
Estes pensamentos ocorriam-lhe enquanto abria o msn e lia o seu e-mail pessoal. A primeira janela a saltar foi a do Luís:
Luís - Sabes lá no que me fui meter. Aquele louco do Ferreira convenceu-me a ir com ele e com os rapazes a Natal em Dezembro. João em Dezembro...eu ainda não disse nada à Inês, ela vai-me fazer em picado.
(A Inês era a lindissíma mulher do Luís. Uma dessas mulheres que faz parar o trânsito pela sua beleza e fazia calar muito homem também com a sua inteligência, era especialista na área Financeira e o Luís sabia que ela não ia achar piadinha nenhuma à ida a Natal).
João - Sabes que mais? O Ferreira ligou-me ontem com os copos e dizer-me que vocês iam todos para o Brasil e para falar com franqueza espero que por lá fiquem. Vocês não fazem cá falta nenhuma, tenho a certeza que as vossas mulheres conseguem arranjar muito melhor por cá e divertirem-se muitíssimo mais, fartas de vocês devem elas andar e se não andam elas, ando eu!
Luís - É esse teu mau feitio que te tem impedido de progredir na vida...
João - És mesmo estupido! Olha lá, e como é que vocês vão conseguir impedir o Reis de se atirar a todas as raparigas que ele vir na rua? Ele anda com o cio desde que se divorciou e com a vossa capacidade de se meterem em problemas, ainda acabam todos na cadeia.
Luís - Metermo-nos em problemas, nós?
João - Tenho que te lembrar Espanha??? Hay que tener aguante para vosotros! E o Fonseca??? Esqueceste-te que ele se dá pessimamente mal com o calor? Não te lembras das histórias dele em Marrocos? Para além do mais a Liliana está grávida!
Luís - O que eu quero saber é como é que eu vou explicar à Inês esta história...
João - Acabo de receber uma sms do Lemos. Diz que a mulher o pôs a dormir no sofá tal a cardina que levou ontem para casa...desconfio que vai ficar no sofá uns mesinhos...
Olha lá, e quando é que Vossas Iluminadas Excelências tencionam contar às vossas mulheres este vosso plano? Avisem-me com antecedência ou filmem para eu me rir um bocado... Vou trabalhar.
Luís - Isto não tem piada nenhuma, o Ferreira levou-me à certa...
João - E tu deixaste-te levar porque quiseste. Sabes bem que a mulher do Ferreira não quer saber do que ele faz, ele pode ir para onde quiser desde que ela tenha o lugar dela assegurado.
Luís - Pois. Bem, vai lá trabalhar.
João - Beijos.
Algo no diálogo que tinha tido com o Luís no msn tinha deixado a João feliz, já que não a tinham convidado bem podia ser que os amigos tivessem os problemas que mereciam. Apesar de saber que estava cheia de dor de cotovelo por eles irem passear todos juntos, a João também sabia que o Brasil não a entusiasmava, sobretudo com todas aquelas notícias de assaltos e ela já tinha outros planos que não tinha comunicado a ninguém.