Encerra-se hoje, a Blosérie Interactiva, nem vos passa pela cabeça o gozo que me deu escrever 3 dos 10 episódios desta série. Espero que gostem e quem sabe, pode ser que em breve, regresse com uma blogsérie nova. Obrigada por estarem desse lado!
Episódio 1 - Autor: Capitão-mor
Episódio 2 - Autor: LoiS
Episódio 3 - Autora: Jade
Episódio 4 - Autor: Capitão-mor
Episódio 5 - Autor: LoiS
Episódio 6 - Autor: Maríita
Episódio 7 - Autor: Maríita
Episódio 8 - Autor: CP
Episódio 9 - Autor: Arya Bodhisattva
- “Nada, primeiro tenho que te levar para o hospital, depois tenho que ir a casa verificar uma coisa. Depois regresso ao hospital e vamos ver os rapazes!” disse apressadamente Amélia.
Já no hospital a João leva 5 pontos no braço esquerdo, o mesmo que tinha levado a bala de raspão e os médicos retiram-lhe diversos estilhaços do frasco de Ketchup da cara e mãos. Felizmente o resto do corpo estava coberto e os cortes tinham sido limitados. Os médicos convenceram-na a passar a noite no hospital e a João, após se certificar que os amigos estavam em segurança, acedeu. Sentia-se extremamente cansada e tinha descoberto que lhe era muito difícil manter o sangue frio com os amigos sob a mira de uma arma. Na manhã do dia seguinte, o telemóvel da João soou:
- “João? É o Ferreira, onde estás?! Preciso de falar contigo!”
- “Estou agora mesmo a receber alta, é só pagar e ir para casa. Vemo-nos lá dentro de meia hora?”
- “Okidoki” disse o Ferreira.
Quando chegou a casa, a João descobriu que o Ferreira já a esperava no patamar das escadas, tinha olheiras profundas de quem não tinha dormido e fumava cigarro atrás de cigarro, a julgar pelo monte de beatas que estavam ao seu lado. João estendeu-lhe as chaves de casa, e apontou para o braço esquerdo. Ferreira sorriu, a João era canhota. Abriu a porta e entraram directamente para a sala.
“O Horácio Lobo foi assassinado na sua cela do SIS” disse o Ferreira olhando para a João intensamente.
O rosto de João abriu-se num enorme sorriso, mas não pronunciou nem uma palavra.
- “Tu sabes quem foi?” pergunta o Ferreira
- “Sei sim Senhor, e ainda bem que ele está morto, menos um problema em cima da mesa”, disse a João com voz aliviada, “vai ao meu quarto, está lá um cofre, a combinação é 20-05-74, trás a pasta marcada confidencial, podes ir lendo enquanto eu mudo de roupa e preparo um café.
- “Mas tu não entendes, não tivemos oportunidade de o interrogar, ele nunca chegou a dizer onde está a Débora e pior que tudo, o assassino era um profissional, não ficou nenhuma marca, só um pescoço partido”
A João sorriu e só então lhe disse:
“Eu já sabia que o Horácio Lobo ia ser morto, nada disso me surpreende. Agora lê o dossier e já agora, liga o meu computador, tenho que alterar esse dossier, há mistérios que assim devem permanecer…sim, este assassinato deve ficar sem solução. Mas não te preocupes Ferreira, a esta altura do campeonato, a Débora deve estar a morrer lentamente”.
O Ferreira olhou intrigado para a João, dirigiu-se ao quarto desta, abriu o cofre e começou a ler o dossier. A João foi mudar de roupa e preparar o café. O telemóvel do Ferreira tocou, era o Augusto Luís que queria saber onde é que estava toda a gente, já que não tinha notícias de ninguém desde que o SIS o tinha deixado em casa. O Ferreira disse-lhe que comprasse uns frangos assados e convocasse o pessoal para casa da João às 13h00.
A João trouxe uma chávena de café fumegante ao Ferreira que estava boquiaberto com o que lia:
- “Então foi a Amélia que matou o Horácio Lobo? Inacreditável! Ela era uma agente do SIS, deveria ter outro comportamento, quando isto se souber ela vai ser presa por homicídio”
- “Não digas disparates, a Amélia não vai ser presa coisíssima nenhuma, vamos só alterar o que consta no dossier e já está, ela tinha o direito moral de o matar” disse a João num tom de voz que não admitia discussões.
O Ferreira ainda fez um esboço de protesto, mas o olhar de escárnio da João fizeram-no reconsiderar.
- “Quem diria que o Horácio Lobo era o Ernani Veloso…a vida dá mesmo voltas engraçadas”, pensou Ferreira em voz alta.
- “É verdade”, disse a João com um sorriso, “a Amélia ter-se-ia que vingar dele em qualquer caso, e não vamos ser nós que a vamos denunciar. Mas, sinceramente, não acredito que ela tenha morto o Horácio/Ernani sem antes lhe ter arrancado o paradeiro da Débora e como a Amélia ainda não telefonou, deve estar a tratar dela…vamos alterar a informação do dossier, SFF”.
A João e o Ferreira, alteraram a informação do dossier, omitindo a relação entre Horácio Lobo e Ernani Veloso e após relerem o seu trabalho, chegaram à conclusão que era impossível a quem não soubesse estabelecer a relação. A João sabia que ia ouvir um raspanete do chefe por ter retirado o dossier do SIS e levado para casa, esperava não ser suspensa, mas até que uma suspensão vinha mesmo a calhar, precisava de descansar.
Às 13h00 em ponto, apareceram em casa da João, Augusto Luís, o Lemos e o Reis, e gerou-se uma algarviada de todo o tamanho, choviam perguntas de todos os lados e a João nem sabia para onde se virar, o Augusto Luís depois de a censurar pelo medo que sentiu na casa-de-banho, perguntava insistentemente pela Amélia. O Reis dava-lhe palmadinhas nas costas e o Lemos só lamentava nunca ter dado por que tinha dois amigos no SIS, assim podia ter-lhes pedido que assustassem a mulher e talvez ela deixasse de gastar o dinheiro que ele não tinha. De um momento para o outro, parecia que estavam outra vez no liceu, as piadas, companheirismo, amizade, o que fez com que o Ferreira dissesse com um ar divertido:
- “Pessoal, já descobri porque é que a João não tem um namorado! Temo-nos perguntado tantas vezes e agora descobri a resposta, é que aturar-nos é dose! Ainda me lembro daquele namorado dela, o Zé que durou um mês, acho que foi porque a João estava a trabalhar no Porto, porque bastou nós irmos visitá-la que o Zézinho deu olimpicamente ao slide... somos terríveis!”
- “Não se preocupem, meus queridos” disse a João cinicamente, “o ser solteira tem-me permitido ir a todos os vossos casamentos e divórcios, n’est pas? O que me lembra, que raio de história é esta de que te vais divorciar Ferreira?”
- “É verdade, decidi que não dá mais, os lucros do Blue Velvet estão a ir todos para sustentar a vingança da minha mulher pelo episódio do Brasil e portanto, meti os papéis para o divórcio. Agora com o regresso do capitão-mor até dá jeito, não tenho que inventar desculpas porque estou fora em missão”.
Os amigos olharam uns para os outros e todos lamentaram muito que as coisas acabassem assim, embora no fundo todos soubessem que era mais uma questão de endurance e tempo que outra coisa. No entanto, Augusto Luís viu ali uma oportunidade para se meter com o amigo:
“Ah, então tu não tinhas aquelas mulheres todas, era só fachada para as tuas outras actividades como capitão-mor…Como se chama? Mor, Capitão-mor!”
E as gargalhadas soaram por todos os lados. Tocaram à porta, era a belíssima Amélia, parecia muito cansada, mas tinha um sorriso no rosto que não enganava ninguém, estava tranquila e feliz. Antes mesmo de Augusto Luís falar, a João antecipou-se:
- “Encontraste-a? Onde é que ela está?”
- “Deve dar à costa com a maré cheia, sabes que isto dos naufrágios é trágico”, fez-se um silêncio, quebrado apenas por uns ruídos de incredulidade por parte do Lemos.
- “Vão-me prender?” – perguntou Amélia olhando para a João e para o Ferreira.
- “Que disparate!”, exclamou a João muito depressa, “vamos mas é aguardar pacientemente que o barco dê à costa…mas como é que a descobriste? O Horácio/Ernani disse-te antes de morrer?”
- “Não foi preciso” disse sorrindo a Amélia “lembras-te de um medalhão que eu uso muito pouco, só em ocasiões muito especiais? Aquele que o meu avô me deixou em testamento? Pois bem, a Débora tinha um muito parecido, para quem não os conheça bem, à primeira vista eram iguais. Por isso, fui falar com a minha priminha que me confessou que tinha tido um caso com a Débora, elas são bissexuais. No fim da relação, a Débora levou a cópia como recuerdo, dai para a frente, foi tudo muito fácil. Não há nada que se coma?”.
Augusto Luís apressou-se a servir a bela Amélia, completamente enfeitiçado por ela que, diga-se em abono da verdade, não se fez rogada.
- “Conclusão”, disse a João lentamente, “só me falta encontrar o Mihail Tchevchenko e reunir provas contra ele. Hum, o que é bom nesta profissão é que temos sempre trabalho”.
Já no hospital a João leva 5 pontos no braço esquerdo, o mesmo que tinha levado a bala de raspão e os médicos retiram-lhe diversos estilhaços do frasco de Ketchup da cara e mãos. Felizmente o resto do corpo estava coberto e os cortes tinham sido limitados. Os médicos convenceram-na a passar a noite no hospital e a João, após se certificar que os amigos estavam em segurança, acedeu. Sentia-se extremamente cansada e tinha descoberto que lhe era muito difícil manter o sangue frio com os amigos sob a mira de uma arma. Na manhã do dia seguinte, o telemóvel da João soou:
- “João? É o Ferreira, onde estás?! Preciso de falar contigo!”
- “Estou agora mesmo a receber alta, é só pagar e ir para casa. Vemo-nos lá dentro de meia hora?”
- “Okidoki” disse o Ferreira.
Quando chegou a casa, a João descobriu que o Ferreira já a esperava no patamar das escadas, tinha olheiras profundas de quem não tinha dormido e fumava cigarro atrás de cigarro, a julgar pelo monte de beatas que estavam ao seu lado. João estendeu-lhe as chaves de casa, e apontou para o braço esquerdo. Ferreira sorriu, a João era canhota. Abriu a porta e entraram directamente para a sala.
“O Horácio Lobo foi assassinado na sua cela do SIS” disse o Ferreira olhando para a João intensamente.
O rosto de João abriu-se num enorme sorriso, mas não pronunciou nem uma palavra.
- “Tu sabes quem foi?” pergunta o Ferreira
- “Sei sim Senhor, e ainda bem que ele está morto, menos um problema em cima da mesa”, disse a João com voz aliviada, “vai ao meu quarto, está lá um cofre, a combinação é 20-05-74, trás a pasta marcada confidencial, podes ir lendo enquanto eu mudo de roupa e preparo um café.
- “Mas tu não entendes, não tivemos oportunidade de o interrogar, ele nunca chegou a dizer onde está a Débora e pior que tudo, o assassino era um profissional, não ficou nenhuma marca, só um pescoço partido”
A João sorriu e só então lhe disse:
“Eu já sabia que o Horácio Lobo ia ser morto, nada disso me surpreende. Agora lê o dossier e já agora, liga o meu computador, tenho que alterar esse dossier, há mistérios que assim devem permanecer…sim, este assassinato deve ficar sem solução. Mas não te preocupes Ferreira, a esta altura do campeonato, a Débora deve estar a morrer lentamente”.
O Ferreira olhou intrigado para a João, dirigiu-se ao quarto desta, abriu o cofre e começou a ler o dossier. A João foi mudar de roupa e preparar o café. O telemóvel do Ferreira tocou, era o Augusto Luís que queria saber onde é que estava toda a gente, já que não tinha notícias de ninguém desde que o SIS o tinha deixado em casa. O Ferreira disse-lhe que comprasse uns frangos assados e convocasse o pessoal para casa da João às 13h00.
A João trouxe uma chávena de café fumegante ao Ferreira que estava boquiaberto com o que lia:
- “Então foi a Amélia que matou o Horácio Lobo? Inacreditável! Ela era uma agente do SIS, deveria ter outro comportamento, quando isto se souber ela vai ser presa por homicídio”
- “Não digas disparates, a Amélia não vai ser presa coisíssima nenhuma, vamos só alterar o que consta no dossier e já está, ela tinha o direito moral de o matar” disse a João num tom de voz que não admitia discussões.
O Ferreira ainda fez um esboço de protesto, mas o olhar de escárnio da João fizeram-no reconsiderar.
- “Quem diria que o Horácio Lobo era o Ernani Veloso…a vida dá mesmo voltas engraçadas”, pensou Ferreira em voz alta.
- “É verdade”, disse a João com um sorriso, “a Amélia ter-se-ia que vingar dele em qualquer caso, e não vamos ser nós que a vamos denunciar. Mas, sinceramente, não acredito que ela tenha morto o Horácio/Ernani sem antes lhe ter arrancado o paradeiro da Débora e como a Amélia ainda não telefonou, deve estar a tratar dela…vamos alterar a informação do dossier, SFF”.
A João e o Ferreira, alteraram a informação do dossier, omitindo a relação entre Horácio Lobo e Ernani Veloso e após relerem o seu trabalho, chegaram à conclusão que era impossível a quem não soubesse estabelecer a relação. A João sabia que ia ouvir um raspanete do chefe por ter retirado o dossier do SIS e levado para casa, esperava não ser suspensa, mas até que uma suspensão vinha mesmo a calhar, precisava de descansar.
Às 13h00 em ponto, apareceram em casa da João, Augusto Luís, o Lemos e o Reis, e gerou-se uma algarviada de todo o tamanho, choviam perguntas de todos os lados e a João nem sabia para onde se virar, o Augusto Luís depois de a censurar pelo medo que sentiu na casa-de-banho, perguntava insistentemente pela Amélia. O Reis dava-lhe palmadinhas nas costas e o Lemos só lamentava nunca ter dado por que tinha dois amigos no SIS, assim podia ter-lhes pedido que assustassem a mulher e talvez ela deixasse de gastar o dinheiro que ele não tinha. De um momento para o outro, parecia que estavam outra vez no liceu, as piadas, companheirismo, amizade, o que fez com que o Ferreira dissesse com um ar divertido:
- “Pessoal, já descobri porque é que a João não tem um namorado! Temo-nos perguntado tantas vezes e agora descobri a resposta, é que aturar-nos é dose! Ainda me lembro daquele namorado dela, o Zé que durou um mês, acho que foi porque a João estava a trabalhar no Porto, porque bastou nós irmos visitá-la que o Zézinho deu olimpicamente ao slide... somos terríveis!”
- “Não se preocupem, meus queridos” disse a João cinicamente, “o ser solteira tem-me permitido ir a todos os vossos casamentos e divórcios, n’est pas? O que me lembra, que raio de história é esta de que te vais divorciar Ferreira?”
- “É verdade, decidi que não dá mais, os lucros do Blue Velvet estão a ir todos para sustentar a vingança da minha mulher pelo episódio do Brasil e portanto, meti os papéis para o divórcio. Agora com o regresso do capitão-mor até dá jeito, não tenho que inventar desculpas porque estou fora em missão”.
Os amigos olharam uns para os outros e todos lamentaram muito que as coisas acabassem assim, embora no fundo todos soubessem que era mais uma questão de endurance e tempo que outra coisa. No entanto, Augusto Luís viu ali uma oportunidade para se meter com o amigo:
“Ah, então tu não tinhas aquelas mulheres todas, era só fachada para as tuas outras actividades como capitão-mor…Como se chama? Mor, Capitão-mor!”
E as gargalhadas soaram por todos os lados. Tocaram à porta, era a belíssima Amélia, parecia muito cansada, mas tinha um sorriso no rosto que não enganava ninguém, estava tranquila e feliz. Antes mesmo de Augusto Luís falar, a João antecipou-se:
- “Encontraste-a? Onde é que ela está?”
- “Deve dar à costa com a maré cheia, sabes que isto dos naufrágios é trágico”, fez-se um silêncio, quebrado apenas por uns ruídos de incredulidade por parte do Lemos.
- “Vão-me prender?” – perguntou Amélia olhando para a João e para o Ferreira.
- “Que disparate!”, exclamou a João muito depressa, “vamos mas é aguardar pacientemente que o barco dê à costa…mas como é que a descobriste? O Horácio/Ernani disse-te antes de morrer?”
- “Não foi preciso” disse sorrindo a Amélia “lembras-te de um medalhão que eu uso muito pouco, só em ocasiões muito especiais? Aquele que o meu avô me deixou em testamento? Pois bem, a Débora tinha um muito parecido, para quem não os conheça bem, à primeira vista eram iguais. Por isso, fui falar com a minha priminha que me confessou que tinha tido um caso com a Débora, elas são bissexuais. No fim da relação, a Débora levou a cópia como recuerdo, dai para a frente, foi tudo muito fácil. Não há nada que se coma?”.
Augusto Luís apressou-se a servir a bela Amélia, completamente enfeitiçado por ela que, diga-se em abono da verdade, não se fez rogada.
- “Conclusão”, disse a João lentamente, “só me falta encontrar o Mihail Tchevchenko e reunir provas contra ele. Hum, o que é bom nesta profissão é que temos sempre trabalho”.
~ FIM ou talvez não ~