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segunda-feira, abril 11, 2011

True Blood



De cada vez que passo uma temporada doente, aborrece-me a forma como o tempo decorre e perco completamente a paciência para assuntos sérios. Vejo os telejornais e mantenho-me actualizada, mais por uma questão de cultura geral e para poder manter uma conversa com os amigos que por qualquer outro motivo.

A verdade é que estar doente pode ser um trabalho completamente absorvente e deprimente se uma pessoa não tomar cuidado para manter a sua sanidade mental. Cada doente crónico tem a sua metodologia e cada um resolve-se como pode porque não existem manuais para estas coisas. Eu leio, vejo filmes e séries.

Nesta última temporada doente, comprei através da Amazon.com todos os livros da Charlaine Harris do "True Blood", que se encontram traduzidos para português como "Sangue Fresco", aconselho vivamente, sobretudo para quem os leia em inglês e vá imaginando o sotaque sulista.

E como boa "toxicodependente" comecei a ver a série televisiva. A série não me anima tanto como os livros, só para dar uma noção o primeiro livro corresponde à primeira série completa e a acção dos livros é extremamente rápida, os personagens sucedem-se numa velocidade vertiginosa e é quase impossível deixar os livros repousar. 

Seja como for, espero que quem ler estes livros, ou vir a série sinta o mesmo prazer que eu tenho sentido.  

terça-feira, março 08, 2011

A Biblioteca Privada de Hitler

Este é o título de um estudioso, Timothy W. Ryback, sobre a Biblioteca que os americanos encontraram junto a Hitler quando tomaram Berlim. A primeira coisa que me surpreendeu na notícia publicada pela SIC, foi que nunca ninguém se tinha preocupado em saber o que é que Hitler lia.

É sabido que a maioria das chefias hitlarianas eram cultas, apreciavam música clássica, literatura e pintura. A percepção que eles tinham da Cultura e o uso que dela faziam é que não é exactamente a mais adequada aos meus olhos.

Em segundo lugar, é espantosa a variedade de livros que componham a Biblioteca de Hitler, existiam todo o tipo de livros, literatura clássica, banda desenhada, filosofia. O que me faz concluir que Hitler era um homem curioso, sabia que não tinha educação formal suficiente e procurava cultivar-se, quizás não sempre da melhor forma, mas a verdade é que o fazia.

O que me leva a preguntar, estrapolando para os dias de hoje, será que os líderes europeus se dão ao trabalho de ler, conhecer a História Mundial, ou limitam-se a ser executantes de planos orquestrados pelos partidos políticos que representam? Não pretendo fazer a apologia dos líderes hitelarianos, até porque não partilho de todo a sua ideologia, mas gostaria de ter políticos mais cultos e mais cientes das suas raízes culturais.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

O Anjo Branco

É o mais recente título de José Rodrigues dos Santos. Li de fio a pavio em tempo recorde, e fiquei triste quando aquelas personagens me deixaram. Continua a ser temporalmente muito próxima a Guerra de África, no entanto, é preciso continuar a exorcizar os demónios que povoam a nossa memória colectiva.

A não perder! 

quarta-feira, março 03, 2010

Fúria Divina

O livro de José Rodrigues dos Santos, Fúria Divina, tem a grande qualidade de ensinar ao mesmo tempo que prende o leitor da primeira à última página.
Fiquei asustada com o insight que o escritor obteve do Alcorão e dos desígnios por trás dos suícidas que aceitam missões em nome de Allá, para espalhar a fé e a palavra do profeta. Honestamente, só espalham o terror e o ódio, não atingindo nenhum outro objectivo.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Profunda tristeza



Miep Gies, a mulher que ajudou a esconder Anne Frank e sua família dos nazis em Amsterdão durante a Segunda Guerra Mundial, faleceu ontem aos 100 anos.


Miep Gies ocultou e salvou o diário pessoal da adolescente judia alemã que, denunciada juntamente com sua família, foi deportada para o campo de concentração de Bergen Belsen, onde morreu em 1945. Nascida a 15 de Fevereiro de 1909 em Viena, Miep Gies chegou à Holanda com 11 anos. Na Primavera de 1942, aceitou ajudar o patrão Otto Frank, pai de Anne, a esconder toda a família.

A 6 de Julho do mesmo ano, os quatro membros da família Frank, ao lado de outros quatro clandestinos, refugiaram -se num esconderijo montado na parte de trás da casa, construção que também era sede da empresa familiar, Opekta. Durante dois anos, Miep Gies e três colegas ficaram responsáveis por passar alimentos e cuidar da segurança dos procurados. "Não sou nenhuma heroína. Fiz apenas o que pude para ajudar", declarou há alguns anos Miep Gies.



Os oito clandestinos foram denunciados e detidos a 4 de Agosto de 1944, e enviados para o campo de concentração. Após a passagem dos nazis, Miep Gies descobriu no esconderijo os manuscritos de Anne Frank e conservou-os com cuidado. No final da guerra, entregou o diário a Otto Frank, único sobrevivente. A primeira edição do "Diário de Anne Frank", que nunca teria sido conhecido sem a ajuda de Miep Gies, foi publicada em 1947 em holandês com o título "Het Achterhuis".

Desde então já foi traduzido para mais de 70 idiomas e é um dos livros mais lidos do mundo. O diário é um testemunho dos sofrimentos das vítimas do nazismo. Após a publicação, Miep Gies e o marido receberam muitas homenagens internacionais, incluindo o prémio Raoul Wallenberg de valor e reconhecimento do Estado de Israel como "Justo entre as Nações". Recebeu também a medalha Yad Vashem em 1997.

in Sapo.pt

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Aconselho vivamente a leitura

Já está traduzido para português e é impossível deixar de ler este romance de fio a pavio. Carlos Ruiz Zafón escreve com cuidado e mestria, uma trama que começa e termina com o amor aos livros. A não perder!

segunda-feira, novembro 17, 2008

Notas Soltas

1) A cada dia que passa compreendo melhor os serial killers, os ataques bombistas e a panóplia habitual de actos terroristas, isto porque, estou a considerar tornar-me num deles. Estou precisamente à 12 dias à espera que o meu médico mande algumas informações para um centro médico no estrangeiro que talvez me possa ajudar na minha doença. 12 dias, para uma pessoa que esteja a fazer a sua vida normal, que possa ir trabalhar e passear, não é nada, para uma pessoa que está há um mês e meio de cama e a piorar, é desesperante. Por isso, eu compreendo todos aqueles que se fartaram de esperar por um sinal que fosse de mudança nas suas vidas e às vezes dá mesmo vontade de tomar as rédeas à nossa vida.
2) Quero muito, muito, muito, muito ler o livro sobre D. Catarina de Bragança escrito pela Isabel Stilwell. Sinto-me dividida entre quer conhecer melhor esta figura tão pouco conhecida, em contactar com a cultura inglesa e talvez, obrigar-me a lembrar de convenções sociais que andam esquecidas por estes lados.
3) Queria dar os parabéns à Rita Batata Frita que ficou noiva recentemente e está tão feliz que consegue contagiar tudo e todos.

quinta-feira, maio 15, 2008

Feira do Livro ou não, eis a questão

"Indecisões, reuniões, pressões. Após meses de avanços e recuos, a 78ª Feira do Livro encontra-se neste momento suspensa por decisão da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Isto porque, apesar dos stands estarem já montados no Parque Eduardo VII, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) não entregou ainda à autarquia o layout final do certame, com o descritivo da composição e disposição dos stands.
É mais um episódio numa guerra que parece sem fim à vista quando faltam apenas uma semana para a abertura da feira. No centro da polémica está a Leya, o maior grupo editorial português, nascido em Janeiro pela mão de Miguel Pais do Amaral. O Leya mantém que quer participar na edição deste ano, mas insiste em dispor de um espaço diferente dos stands habituais, exigindo uma área comum de 720 metros quadrados para as suas seis editoras - que no conjunto representam dez por cento da feira. A APEL, que tem a organização do certame a seu cargo, considera que a feira é dos livros e não dos editores, e tem defendido que os stands permaneçam iguais. Argumenta também que o grupo Leya não se inscreveu atempadamente, mantendo a mesma posição de intransigência, apesar da prorrogação do prazo de inscrição que lhe foi concedida a título excepcional. No entanto, no passado dia 6, terá concordado que os formulários de inscrição da Leya seriam feitos através da UEP, de que são associadas as editoras que integram o grupo. Com stands diferentes dos habituais.
Ontem, a Câmara Municipal de Lisboa, que anualmente subsidia o evento, decidiu suspender os trabalhos de montagem que estava a realizar. Num extenso comunicado, a CML pediu explicações urgentes à direcção da APEL sobre a recusa de instalação de novos modelos de pavilhões na feira, nomeadamente do grupo Leya, após se ter comprometido a aceitá-los. Em quatro páginas, a câmara faz o historial das reuniões que começaram em Janeiro. E acrescenta que a APEL "ainda não entregou o layout final de implantação da feira", que condicionaria a decisão da câmara sobre o certame.
Considera ainda o documento municipal enviado aos jornalistas que "a APEL foi demonstrando uma crescente intransigência, não aceitando negociar qualquer ponto".
Na segunda-feira o grupo Leya entregou na direcção municipal o projecto final de implantação de uma "praça Leya" no Parque Eduardo VII, que foi aprovado. No final do comunicado a CML informa que ontem decidiu "solicitar à direcção da APEL um esclarecimento sobre a situação", fazendo depender dessa resposta "as consequências legítimas que se impõem como corolário deste processo". Ou seja, a realização ou não do evento.
Abaixo assinado contra Leya
A uma semana do início da feira, a discussão em volta do modelo parece longe de estar serenada. Também ontem, a Gradiva, editora associada da UEP (a que são também associadas as editoras do Leya), lançou um abaixo-assinado em que responsabiliza o grupo de Paes do Amaral pela ameaça que paira sobre a realização do certame, considerando que "é absolutamente inaceitável que um grupo económico esteja a paralisar a realização de uma iniciativa tão significativa e emblemática como a Feira do Livro de Lisboa." Nesse sentido, o documento assegura que os seus signatários "recorrerão aos tribunais para serem indemnizadas por toda a significativa despesa que já fizeram para dignificar a apresentação dos seus stands, e pelos prejuízos que o adiamento ou a não realização da Feira do Livro de Lisboa implicarem." Isto, explica-se, caso Feira do Livro de Lisboa vier a ser utilizada como instrumento dos objectivos empresariais de qualquer grupo económico, afectando o livro e a leitura, prejudicando os leitores, os autores e a generalidade das editoras independentes.
"Da parte do Leya, não houve reacção. Por intermédio do seu assessor, o grupo limitou-se ontem a afirmar que agora "o problema é entre a CML e a APEL. Não comentamos""
In "Diário de Notícias"
Num país em que se tratam os livros como mais um negócio, em que o amor pelo papel, letras, tintas, cheiros e sabores de cada livro é tratado assim, ninguém se pode admirar que a cultura ande pelas ruas da amargura e que os "Morangos com Açúcar" triunfem.
Pela parte que me diz respeito, resta-me exercer o meu direito à indignação. E sentir uma profunda tristeza pelo facto.

domingo, abril 27, 2008

Fazes-me Falta


Finalmente acabei de ler o livro da Inês Pedrosa "Fazes-me falta!". Levei tempos infindos para ler um livro tão pequeno, talvez porque fosse tão denso. Talvez porque fosse tão real.


Toda a minha vida estabelecia diálogos internos e até escritos com outros, desses outros somente o meu avô já morreu. Escrevi páginas de dúvidas, questões momentâneas, interrogações filosóficas. Raramente disse a alguém que me faz falta. É um desperdício de tempo. Digo que me fazem falta mas sem alteração do comportamento, não adianta de nada e eu tive que me magoar ao admitir uma debilidade. Fazes-me falta.


Voltando ao romance, deveria ser lido por todos aqueles que já perderam alguém e que se esqueceram de lhe dizer o quão importante era, ou por todos aqueles que correm o risco de perder alguém que possa vir a ser suficientemente importante para ter valido a pena mostrar vulnerabiliade e dizer "és importante para mim".

segunda-feira, janeiro 14, 2008

A Eternidade e o Desejo

Ao ler Inês Pedrosa tenho-me vindo a reconciliar com o mundo e sobretudo com a minha vida nos últimos tempos. Se a dor não passou, atenuou-se num sorriso que demonstra mais que tudo o resto.
Recomendo vivamente a todos quantos gostam de uma obra de arquitectura, no fundo, António Veira serve de estrutura para uma quantidade de floreados e rendilhados de escrita que produzem uma certa reconciliação com a vida.
"A Eternidade e o Desejo", Inês Pedrosa, Dom Quixote.

quinta-feira, julho 26, 2007

Harry Potter and the Deathly Hallows


A saga chegou ao fim, e cada uma das personagens fez o que tinha a fazer. Desde o início que existiam inúmeras questões em aberto a que J. K. Rowling consegue responder neste último livro.
O Harry Potter tem criado amores e ódios viscerais um pouco por todo o mundo, os que gostam, normalmente adoram. Os que não gostam, normalmente odeiam.
Existe quem goste e nem saiba bem porquê, no meu caso, gosto desde o príncipio e sei porquê. Harry Potter é uma fantástica obra de ficção, criou uma linguagem própria que leitores de todos o mundo conhecem, entre o inglês (muggles) e o latim (veritaserum, etc.), transporta os leitores para um mundo paralelo que não se mostra mais fácil que o nosso, simplesmente diferente. No entanto, a maior diferença dos livros do Harry Potter face aos restantes livros infantis, tem que ver com o conceito de bem e de mal, dentro de cada ser humano existe bem e mal que coexistem, as opções são individuais e cada um pode escolher o seu caminho. Por isto tudo, e pela magia, adorei os livros de Harry Potter, sobretudo quando os comecei a ler em inglês.
Quem não gosta pode comentar e dizer porque é que não gosta!
P.S. - Para quem achar que esta capa é um bocado infantilóide, existe uma outra muito bonita para adultos ;)!


segunda-feira, julho 16, 2007

A sombra do tempelário

A minha amiga "Eu mesma" (o link está ai ao lado, não me peçam para fazer ligações directas que o pulguinha está doentinho e eu com ele), emprestou-me um livro muito interessante intitulado: "A Sombra do Templário" da escritora Núria Masot, este romance leva-nos a passear por uma Barcelona medieval num intrincado enredo de espionagem, segredos e desejo de vingança. Uma boa leitura para quem gosta do estilo.

segunda-feira, junho 18, 2007

Sei que ando desaparecida

mas tenho estado a ver séries televisivas, filmes e confesso que a ler um livro que nem faz bem o meu género, mas que me tem empolgada.

Série Televisiva:

- Donas de casa desesperadas (2ª série);

Filmes:

- Breaking the Waves;
- The Boxer;
- In the Name of the Father;
- Frankie & Johnny;
- The Constant Gardener;
- La Vita è Bella.

Livros:

Troquei o "Juntos combateremos a sombra" da Lídia Jorge, que detestei, pela biografia do "Sting" que estou a adorar, apesar de não ser o meu género favorito.

De resto, tudo na mesma como a lesma.

sexta-feira, junho 08, 2007

Estragaram-me o negócio

Então não é que há um escritor português que escreve livros de espionagem? São sobretudo biografias, mas ainda assim, é uma lata descomunal!
Ah, o nome do escritor é: José António Barreiros e é a Presença que edita os livros dele.
Como ele é único ainda há espaço para nós nesse nicho de mercado, verdade?

domingo, junho 03, 2007

Leitura recomendada



"O Pescador de Girassóis" é um livro que nos transporta para uma localidade e praia no sul de Portugal, todos os personagens giram em torno dessa localidade que se tornou refugio de muitos perante as agruras da vida. Com mestria António Santos gere toda a trama, em que a cada acção se sucede uma reacção, que culmina de modo totalmente inesperado.
Há uma praia sonhada e real, e um mar infinitamente azul. Há uma esplanada ensolarada por onde se derrama, lânguida, a imensidão dos entardeceres. E há o sonho. Os sonhos de todas aquelas personagens que se cruzam, e se encontram, e sonham… O velho pescador que pinta girassóis na proa do seu barco e sonha partir um dia, de velas enfunadas, para se perder na linha do horizonte. O jovem casal de amantes que sonha viver a sua paixão ao sabor da maresia e do vento morno de cada fim de tarde. O pároco local que se embrenha em escavações clandestinas, que sonha com uma beleza perdida e por mão de quem haverá de chegar um dia, e sem aviso prévio, a tragédia que irá abalar a pacata vila de Santo António da Ria. Há o destino, a bruma, o mistério. E o livro, quase tão azul como as próprias ondas, também ele infinito, revelador e inesquecível.
António Santos tem descrito um percurso jornalístico notável. Colunista em diversas publicações, criador de emissões para rádio e televisão, repórter, pivot, editor, coordenador de informação, autor de programas televisivos como Jornalinho – distinguido com o Troféu Regra de Ouro/RTP e o Troféu Verbo/85 – e de programas radiofónicos como As Noites Longas do FM Estéreo, que também realizou e apresentou, António Santos foi ainda Consultor da Administração da RTP e Assessor de Imprensa e Coordenador de Comunicação do Primeiro-Ministro nos XIII e XIV Governos Constitucionais. Actualmente, para além da escrita, exerce actividade docente pontual sobre Comunicação, Imagem e Marketing Político a convite de instituições como a Universidade Nova de Lisboa, o Cenjor-Formação para Jornalistas ou o INA – Instituto Nacional da Administração. Tem já publicadas as obras "Os Sapos Vivos Estão pela Hora da Morte" e "As Noites Longas do FM Estéreo".
Santos, António, "O Pescador de Girassóis", Lisboa, Editorial Presença, 2007.

terça-feira, maio 29, 2007

Leitura recomendada



Este romance recupera factos e histórias que Francisco Moita Flores não incluiu na série que escreveu para a RTP com o título A Ferreirinha. Narra a epopeia da luta contra a filoxera, uma praga que, na segunda metade do século XIX, ia destruindo definitivamente as vinhas do Douro. Na mesma altura em que, por toda a Europa, surgiam as primeiras técnicas e tentativas de criação de um método para a investigação criminal.O autor criou um bacharel detective – Vespúcio Ortigão – que, na Régua, persegue um serial killer, confrontando-se com o medo, com as superstições, com as crenças do Portugal Antigo que, temente a Deus e ao Demónio, estremecia perante o flagelo da praga e dos crimes. É uma ficção, é certo, mas também um retalho de vida feita de muitos caminhos que a memória vai aconchegando conforme pode.


Francisco Moita Flores é um especialista na área da criminologia e tem escrito obras de grande sucesso quer em livro quer para televisão. A crítica considera-o um dos melhores argumentistas portugueses e algumas das suas séries são marcos de excelência da ficção portuguesa, como foi o caso d’A Ferreirinha. Pese o facto de ter dedicado a sua vida ao estudo da violência, da polícia e à ficção, é a primeira vez que escreve um romance policial. A acção decorre no século XIX, nos primórdios da investigação criminal como hoje a conhecemos. Uma história emocionante ocorrida nas vinhas do Douro num tempo que abriu as portas da ciência e do conhecimento ao tempo que é o nosso presente.
Pela parte que me diz respeito, e como fã incondicional do Douro e da sua paisagem deslumbrante, gostei muito do livro, por outro lado, o personagem do bacharel de direito, Vespúcio Ortigão, enche-me as medidas, entre a sua loucura e a sua sabedoria.
Um único reparo, o título do livro é passível de confusão com a obra-prima de John Steinbeck, As Vinhas da Ira e creio que Moita Flores poderia ter arranjado um título diferente.

quinta-feira, maio 24, 2007

Leitura recomendada

Recebi este livro de prenda de aniversário* e devorei-o em poucos dias, o enredo é complexo, o vocabulário desafiante, mas acima de tudo, numa pequena amostra ficcionada da sociedade brasileira Marçal Aquino consegue traduzir o melhor e o pior do Homem.
Sinopse:
Numa cidade do Pará, à beira de uma corrida ao ouro, Cauby, um fotógrafo, apaixona-se por Lavínia, uma ex-prostituta casada com um pastor. Daqui nasce um amor tão proibido quanto intenso, alimentado por visitas clandestinas a meio da tarde, de sexo urgente. Com os conflitos entre uma empresa mineira e os seus trabalhadores como pano de fundo, esta é uma história de amor cujo desfecho se adivinha logo nas primeiras linhas, mas que percorre caminhos imprevisíveis e tortuosos, em que nada é o que parece à primeira vista e onde a violência e a brutalidade atingem proporções dramáticas. Uma história onde a sedução emerge como o mais arriscado dos jogos. Eu Receberia As Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios é também uma história de esperas: a de Cauby, que nunca sabe quando Lavínia o visitará para mais uma longa tarde de sexo; a de Careca, personagem que passou a vida na expectativa de uma paixão platónica; a do jornalista Viktor Laurence, que prepara uma vingança contra os seus inimigos; a da cidade, que antevê a violência prestes a explodir, em consequência da maldição que o ouro sempre traz consigo.
Biografia:
Marçal Aquino nasceu em Amparo, no interior do Estado de São Paulo, em 1958. Jornalista free-lancer, trabalhou como revisor, repórter e redactor e escreveu para os jornais "O Estado de São Paulo" e "Jornal da Tarde". Autores de vários argumentos adaptados para o cinema, publicou ficção aduta e juvenil e recebeu diversos prémios pelo seu trabalho literário, dos quais se destaca o prestigiado Prémio Jabuti, em 2000.
Marçal Aquino, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Editora Palavra, Setembro de 2006.
*Obrigada Luís, Adorei!

quinta-feira, abril 12, 2007


Neura 2004


Acabei de ler o "Neura 2004" do meu amigo Luís Graça (do Oficina do Livro). Devo dizer que este é um livro cheio de humor que retrata bem as relações do futebol, as apirações de um povo parecido com o português, senão vejam lá este trecho:
"O Neura 2004, desígnio verdadeiramente nacional e transoceânico, começou a tomar forma na cabeça dos construtores civis, dos dirigentes desportivos, do povo. Ah!, e também dos governantes da Bananalândia.
À sede do palácio do Apoio chegaram 714 propostas para construir estádios de futebol no país.
-Eh pá! Se calhar isto são propostas a mais...- afirmou, a coçar a cabeça, o coordenador-geral da Nação, Jonas Bigandstrong, um lituano naturalizado bananalense.
- Vossa excelência acha mesmo? Por mim, considero que um país sem estádios é como um jardim sem flores - proclamou, insuflado de alguma empáfia, Dâmaso Saicedo, assessor de assessor do adjunto do secretário-geral do Ministério dos Assuntos de Alguma Forma Prioritários.
- Sabe o que lhe digo, caro Saicedo? A floricultura pode ser uma bela forma de arte, mas o governo da Nação não se compadece com jardins atravancados de begónias, dálias, agapantos ou estrelícias. Flores são uma coisa, estádios são outra. Compreende a minha linha de raciocínio?
- Perfeitamente. Chique a valer!"
E assim a pessoa pode passar uns momentos agradáveis, rir e pensar com humor.

domingo, março 04, 2007

O Tempo dos Amores Perfeitos

Li o último romance de Tiago Rebelo "O Tempo dos Amores Perfeitos", o livro retrata uma história de amor passada em Angola, o amor de Carlos e Leonor. A acção que decorre em 1849, descreve uma Angola colonizada, em que Luanda é uma capital pequena e esquecida pelo poder político da metróple e em que os personagens têm que viver numa realidade totalmente diferente daquela que esperavam encontrar, o sol inclemente, as chuvas torrenciais, a distância, a imensidão, a dificuldade em negociar com as diferentes tribos africanas.
Por tudo o que se desconhece de Angola, vale a pena ler o livro. Só um detalhe irritante a meu ver, o autor tenta em todos os capítulos antecipar a acção, o que faz com que o efeito surpresa se encontre muito diluido.
"O Tempo dos Amores Perfeitos", Tiago Rebelo, Editoria Presença.