quarta-feira, julho 04, 2007

Blogsérie Interactiva - 9m32s - Episódio 10

Encerra-se hoje, a Blosérie Interactiva, nem vos passa pela cabeça o gozo que me deu escrever 3 dos 10 episódios desta série. Espero que gostem e quem sabe, pode ser que em breve, regresse com uma blogsérie nova. Obrigada por estarem desse lado!



Episódio 1 - Autor: Capitão-mor
Episódio 2 - Autor: LoiS
Episódio 3 - Autora: Jade
Episódio 4 - Autor: Capitão-mor
Episódio 5 - Autor: LoiS
Episódio 6 - Autor: Maríita
Episódio 7 - Autor: Maríita
Episódio 8 - Autor: CP
Episódio 9 - Autor: Arya Bodhisattva





- “Nada, primeiro tenho que te levar para o hospital, depois tenho que ir a casa verificar uma coisa. Depois regresso ao hospital e vamos ver os rapazes!” disse apressadamente Amélia.

Já no hospital a João leva 5 pontos no braço esquerdo, o mesmo que tinha levado a bala de raspão e os médicos retiram-lhe diversos estilhaços do frasco de Ketchup da cara e mãos. Felizmente o resto do corpo estava coberto e os cortes tinham sido limitados. Os médicos convenceram-na a passar a noite no hospital e a João, após se certificar que os amigos estavam em segurança, acedeu. Sentia-se extremamente cansada e tinha descoberto que lhe era muito difícil manter o sangue frio com os amigos sob a mira de uma arma. Na manhã do dia seguinte, o telemóvel da João soou:

- “João? É o Ferreira, onde estás?! Preciso de falar contigo!”

- “Estou agora mesmo a receber alta, é só pagar e ir para casa. Vemo-nos lá dentro de meia hora?”

- “Okidoki” disse o Ferreira.

Quando chegou a casa, a João descobriu que o Ferreira já a esperava no patamar das escadas, tinha olheiras profundas de quem não tinha dormido e fumava cigarro atrás de cigarro, a julgar pelo monte de beatas que estavam ao seu lado. João estendeu-lhe as chaves de casa, e apontou para o braço esquerdo. Ferreira sorriu, a João era canhota. Abriu a porta e entraram directamente para a sala.

“O Horácio Lobo foi assassinado na sua cela do SIS” disse o Ferreira olhando para a João intensamente.

O rosto de João abriu-se num enorme sorriso, mas não pronunciou nem uma palavra.

- “Tu sabes quem foi?” pergunta o Ferreira

- “Sei sim Senhor, e ainda bem que ele está morto, menos um problema em cima da mesa”, disse a João com voz aliviada, “vai ao meu quarto, está lá um cofre, a combinação é 20-05-74, trás a pasta marcada confidencial, podes ir lendo enquanto eu mudo de roupa e preparo um café.

- “Mas tu não entendes, não tivemos oportunidade de o interrogar, ele nunca chegou a dizer onde está a Débora e pior que tudo, o assassino era um profissional, não ficou nenhuma marca, só um pescoço partido”

A João sorriu e só então lhe disse:

“Eu já sabia que o Horácio Lobo ia ser morto, nada disso me surpreende. Agora lê o dossier e já agora, liga o meu computador, tenho que alterar esse dossier, há mistérios que assim devem permanecer…sim, este assassinato deve ficar sem solução. Mas não te preocupes Ferreira, a esta altura do campeonato, a Débora deve estar a morrer lentamente”.

O Ferreira olhou intrigado para a João, dirigiu-se ao quarto desta, abriu o cofre e começou a ler o dossier. A João foi mudar de roupa e preparar o café. O telemóvel do Ferreira tocou, era o Augusto Luís que queria saber onde é que estava toda a gente, já que não tinha notícias de ninguém desde que o SIS o tinha deixado em casa. O Ferreira disse-lhe que comprasse uns frangos assados e convocasse o pessoal para casa da João às 13h00.

A João trouxe uma chávena de café fumegante ao Ferreira que estava boquiaberto com o que lia:

- “Então foi a Amélia que matou o Horácio Lobo? Inacreditável! Ela era uma agente do SIS, deveria ter outro comportamento, quando isto se souber ela vai ser presa por homicídio”

- “Não digas disparates, a Amélia não vai ser presa coisíssima nenhuma, vamos só alterar o que consta no dossier e já está, ela tinha o direito moral de o matar” disse a João num tom de voz que não admitia discussões.

O Ferreira ainda fez um esboço de protesto, mas o olhar de escárnio da João fizeram-no reconsiderar.

- “Quem diria que o Horácio Lobo era o Ernani Veloso…a vida dá mesmo voltas engraçadas”, pensou Ferreira em voz alta.

- “É verdade”, disse a João com um sorriso, “a Amélia ter-se-ia que vingar dele em qualquer caso, e não vamos ser nós que a vamos denunciar. Mas, sinceramente, não acredito que ela tenha morto o Horácio/Ernani sem antes lhe ter arrancado o paradeiro da Débora e como a Amélia ainda não telefonou, deve estar a tratar dela…vamos alterar a informação do dossier, SFF”.

A João e o Ferreira, alteraram a informação do dossier, omitindo a relação entre Horácio Lobo e Ernani Veloso e após relerem o seu trabalho, chegaram à conclusão que era impossível a quem não soubesse estabelecer a relação. A João sabia que ia ouvir um raspanete do chefe por ter retirado o dossier do SIS e levado para casa, esperava não ser suspensa, mas até que uma suspensão vinha mesmo a calhar, precisava de descansar.

Às 13h00 em ponto, apareceram em casa da João, Augusto Luís, o Lemos e o Reis, e gerou-se uma algarviada de todo o tamanho, choviam perguntas de todos os lados e a João nem sabia para onde se virar, o Augusto Luís depois de a censurar pelo medo que sentiu na casa-de-banho, perguntava insistentemente pela Amélia. O Reis dava-lhe palmadinhas nas costas e o Lemos só lamentava nunca ter dado por que tinha dois amigos no SIS, assim podia ter-lhes pedido que assustassem a mulher e talvez ela deixasse de gastar o dinheiro que ele não tinha. De um momento para o outro, parecia que estavam outra vez no liceu, as piadas, companheirismo, amizade, o que fez com que o Ferreira dissesse com um ar divertido:

- “Pessoal, já descobri porque é que a João não tem um namorado! Temo-nos perguntado tantas vezes e agora descobri a resposta, é que aturar-nos é dose! Ainda me lembro daquele namorado dela, o Zé que durou um mês, acho que foi porque a João estava a trabalhar no Porto, porque bastou nós irmos visitá-la que o Zézinho deu olimpicamente ao slide... somos terríveis!”

- “Não se preocupem, meus queridos” disse a João cinicamente, “o ser solteira tem-me permitido ir a todos os vossos casamentos e divórcios, n’est pas? O que me lembra, que raio de história é esta de que te vais divorciar Ferreira?”

- “É verdade, decidi que não dá mais, os lucros do Blue Velvet estão a ir todos para sustentar a vingança da minha mulher pelo episódio do Brasil e portanto, meti os papéis para o divórcio. Agora com o regresso do capitão-mor até dá jeito, não tenho que inventar desculpas porque estou fora em missão”.

Os amigos olharam uns para os outros e todos lamentaram muito que as coisas acabassem assim, embora no fundo todos soubessem que era mais uma questão de endurance e tempo que outra coisa. No entanto, Augusto Luís viu ali uma oportunidade para se meter com o amigo:

“Ah, então tu não tinhas aquelas mulheres todas, era só fachada para as tuas outras actividades como capitão-mor…Como se chama? Mor, Capitão-mor!”

E as gargalhadas soaram por todos os lados. Tocaram à porta, era a belíssima Amélia, parecia muito cansada, mas tinha um sorriso no rosto que não enganava ninguém, estava tranquila e feliz. Antes mesmo de Augusto Luís falar, a João antecipou-se:

- “Encontraste-a? Onde é que ela está?”

- “Deve dar à costa com a maré cheia, sabes que isto dos naufrágios é trágico”, fez-se um silêncio, quebrado apenas por uns ruídos de incredulidade por parte do Lemos.

- “Vão-me prender?” – perguntou Amélia olhando para a João e para o Ferreira.

- “Que disparate!”, exclamou a João muito depressa, “vamos mas é aguardar pacientemente que o barco dê à costa…mas como é que a descobriste? O Horácio/Ernani disse-te antes de morrer?”

- “Não foi preciso” disse sorrindo a Amélia “lembras-te de um medalhão que eu uso muito pouco, só em ocasiões muito especiais? Aquele que o meu avô me deixou em testamento? Pois bem, a Débora tinha um muito parecido, para quem não os conheça bem, à primeira vista eram iguais. Por isso, fui falar com a minha priminha que me confessou que tinha tido um caso com a Débora, elas são bissexuais. No fim da relação, a Débora levou a cópia como recuerdo, dai para a frente, foi tudo muito fácil. Não há nada que se coma?”.

Augusto Luís apressou-se a servir a bela Amélia, completamente enfeitiçado por ela que, diga-se em abono da verdade, não se fez rogada.

- “Conclusão”, disse a João lentamente, “só me falta encontrar o Mihail Tchevchenko e reunir provas contra ele. Hum, o que é bom nesta profissão é que temos sempre trabalho”.

~ FIM ou talvez não ~






8 comentários:

Capitão-Mor disse...

Bom xeque-mate!!!!

CP disse...

Brilhante final! Parabéns!
;)
Bom aquele toque de lesbianismo :P

Rubina disse...

Muito bom Mariita

Adorei, e gostei ainda mais do fim ou talvez não...lol...

Beijo

AnadoCastelo disse...

Oh chegou ao fim? Que pena. Estava a gostar tanto.
Quero maiiiiiiiiiiiiisssss.
Adorei está optimo.
Beijinhos

Sofia disse...

Eu voltei !! Eu voltei !!
Abraços,

Breaking the Waves disse...

Excelente Maríita,
Ontem já cá tinha vindo ler, mas não deu para comentar!
Parabéns aos co-autores... queremos mais :P
E parabéns ao Capitão que foi o "pai" da blogosérie.

Beijinhos e espero que estejas melhor :)

Jade disse...

Muito bom, como sempre! Tens jeito para histórias policiais. Gostei muito!
Beijinhos com saudade para o Capitão-Mor que já vi que por aqui passou e para ti também!

leao_xxi disse...

Quando é que sai a próxima blogsérie?!?!?!
Beijocas